São Lourenço. Diácono, santo e mártir.

São Lourenço nasceu no início do século terceiro, na cidade de Huesca, na Espanha, no reino de Aragão. Foi para Roma em busca de encontrar o centro da Igreja Católica.

Chegando lá não tardou em ser reconhecido por suas qualidades morais e sua inocência, descobriram seus méritos, o Papa São Sisto II que o chamou para trabalhar contigo, elevando-o às primeiras ordens sacras, abençoando-o como diácono “um grau abaixo dos padres”.

Pouco depois foi nomeado arquidiácono, o primeiro dos sete diáconos da Igreja Romana. Como arquidiácono, São Lourenço tornou-se ainda mais humilde, mais fervoroso e mais ardente no zelo. A esta ordem sacra, estava ele incumbido, não só o cuidado de distribuir a sagrada comunhão aos fiéis, como também a administração dos bens eclesiásticos, dos vasos sagrados, dos paramentos sacerdotais, do dinheiro destinado à sustentação dos ministros e também o dinheiro para socorrer aos pobres e necessitados. Este cargo exigia de São Lourenço, uma rara prudência, uma vigilância superior e um desinteresse a toda prova. Logo que começou a atuar em suas novas funções de seu ministério, iniciava-se uma horrível perseguição a Igreja Católica visando extermina-la da face da Terra.

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As perseguições do imperador Valeriano, começaram sobre os bispos, os sacerdotes e os diáconos. Uma das primeiras vítimas foi o Santo Papa Sisto II, que foi morto pelos soldados do imperador  quando estava celebrando uma missa em um cemitério de Roma.

A tradição conta que São Lourenço, ao ver que iam matar o Sumo Pontífice, disse-lhe:

“Pai, para onde ides sem vosso filho? Para onde vais sem o vosso diácono? Jamais oferecestes o sacrifício, sem que eu vos acolitasse. Em que vos desagradei, Santo Padre? Achaste em mim alguma infidelidade?.

O Sumo Pontífice respondeu-lhe:

“Não te abandono filho. Deus reservou para ti provação maior e vitória mais brilhante. Velhice e fraqueza faz com que eles tenham certa compaixão de mim. Tu, porém, és moço e forte. Daqui a três dias, seguir-me-ás através de tormentos muito mais atrozesVai, distribui pelos pobres, sem demora, todos os tesouros que te foram confiados e prepara-te para o martírio.”

São Lourenço, Diácono e Mártir (8)

São Lourenço alegrou-se muito ao saber que iria logo para o céu e, sabendo o que ocorreria, entregou aos fiéis todos os vasos sagrados e paramentos, a fim de evitar que os pagãos os sequestrassem e profanassem, juntou o dinheiro que a Igreja tinha em Roma, e distribuiu para os mais necessitados e, saiu a todos os lugares em Roma, onde os cristãos estavam ocultos, devido às perseguições. Em um destes esconderijos, restituiu a visão de Crescêncio, que havia muitos anos que estava cego. Logo que acabou de distribuir o dinheiro aos pobres, foi preso.

O prefeito de Roma, que era pagão e apegado ao dinheiro, indagou a São Lourenço e mando-lhe que o levasse aos tesouros da Igreja para custear uma guerra que o imperador queria iniciar. O santo disse-lhe que em alguns dias reuniria-os.

São Lourenço, reuniu os pobres, deficientes, mendigos, órfãos, viúvas, idosos, cegos e leprosos que ele ajudava com esmolas. Solicitou que chama-sem o prefeito e lhe disse:

 

“Estes são os tesouros mais preciosos da Igreja de Cristo. Podeis encontra-los por toda parte“.

Sentindo-se insultado, o tirano decidiu castigá-lo com os maiores suplícios. Ordenou que o despedaçassem a açoites. Mandou depois, que trouxessem os instrumentos que serviam para atormentar os mártires e mostrando-os a São Lourenço, disse:

“Ou tu resolves sacrificar aos deuses ou dispõe-te a padecer tu sozinho, muito mais do que tem padecido, até aqui, todos juntos quantos professaram a tua infame seita!”.

Respondeu-lhe então em tom tranquilo São Lourenço:

“Os vossos deuses nem sequer merecem aquelas honras que se tributam, aos homens. E vós quereis porventura, que eu lhes tribute adoração, só devida ao único e verdadeiro Deus. Além disso, pouca violência exercerão estes instrumentos de crueldade sobre mim, por que não temo os suplícios, confortado pelo meu Senhor Jesus Cristo”.

Foi então mandado para cárcere, no aguardo de certo oficial de nome Hipólito. Logo que entrou na prisão, os cristãos ali detidos se lançaram aos pés de São Lourenço. Um deles, chamado Lucilo, que há muitos anos tinha perdido a vista, a recuperou milagrosamente, tomando a mão do santo, e tocando-lhe os olhos. O oficial Hipólito, testemunha ocular desta maravilhosa cura, converteu-se ao cristianismo. As torturas começaram no dia seguinte. Estenderam-no em um cavalete, deslocando-lhe as articulações. Açoitaram-no com escorpiões, (cordéis terminados com bolas de chumbo), dilacerando-lhe a carne.

Vendo estes bárbaros tormentos serem suportados com tamanho heroísmo por São Lourenço, um soldado da guarda imperial, chamado de Romano, pediu-lhe o batismo, vindo ele mesmo a padecer o martírio, um pouco depois. Transformado pela cólera, o tirano lhe disse:

“Sofrerás esta noite, um gênero de suplicio que certamente te fará mudar de opinião e de linguagem”.

Retrucou-lhe então São Lourenço:

 “Teus tormentos serão minhas delícias. A terrível noite com que me ameaças, será para mim a mais clara e a mais alegre de toda a minha vida, pois me unirá ao meu Salvador, a quem exclusivamente adoro e amo!”

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O tirano então mandou trazer uma grelha que foi posta sobre brasas. São Lourenço foi colocado sobre aquele leito de ferro, debaixo do qual ardia um fogo abrasador de carvões acesos. Tão sereno e tranquilo fico São Lourenço sobre aquela cama de fogo, que muitos dos presentes se converteram à fé verdadeira. Aturando com muita paciência a tortura do fogo, o arquidiácono suportava até com alegria, satisfeito em poder sofrer por amor a Jesus Cristo. Os cristãos que testemunhavam o martírio do santo, ao invés de sentirem o odor característico de “carne queimada”, sentiam, na verdade, um delicioso odor de incenso. Após estar queimando na grelha por um tempo, o mártir disse ao juiz:

“Se quiserdes, podereis mandar virar-me, visto que deste lado já estou bastante assado”.

Pouco antes que chegasse sua hora pediu a Deus, pela conversão dos gentios e dos perseguidores dos cristãos. Faleceu no dia 10 de agosto de 258, e foi para cada do Pai.

Seu apostolado e martírio, segundo o poeta Prudêncio, corroborou para obra de Deus com declínio da idolatria romana. Por causa da disciplina que tinha para com a autoridade Eclesiástica, a caridade e atenção para com os necessitados e, pela fé e vigorosidade qual suportou o martírio fazendo os pagãos romanos a refletirem sobre a fé cristã professada pelo santo mártir.

No século V, o Doutor da igreja e Papa São Leão Magno disse em uma de suas homilias sobre São Lourenço que:

“as chamas não puderam vencer a caridade de Cristo; e o fogo que o queimava fora era mais débil do que aquele que ardia dentro dele[…]O Senhor quis exaltar a tal ponto o seu glorioso nome em todo o mundo que do Oriente ao Ocidente, no esplendor vivíssimo da luz que irradiou dos maiores diáconos, a mesma glória concedida a Jerusalém por Estêvão também foi dada a Roma por mérito de Lourenço” (Homilia 85, 4: PL 54, 486).

O papa Dâmaso, convalida-se a tradição dos carvões ardentes e recorda o heroico testemunho de fé de São lourenço:

“Verbera, carnífices, flammas, tormenta, catenas, isto é, açoites, carrascos, chamas, tormentos, cadeias, nada prevaleceu contra sua fidelidade a Cristo”.

Existe um fenômeno astronômico que recebeu o nome do santo mártir “Lágrimas de São Lourenço”, é o nome popular com o qual se conhece uma chuva de meteoros (Perseidas) visíveis todos os anos por volta dos dias 11 à 13 de agosto. O nome começou a ser usado em memória ao diácono martirizado muito tempo depois na Europa medieval.

lagrimas

O nome Perseidas vem do ponto do céu de onde parecem vir, o radiante, localizado na constelação Perseu, chamada assim por causa de um personagem da mitologia grega.O nome “lágrimas de São Lourenço” surgiu pela associação com a festividade e as lendas que foram construídas após a morte do santo.

Católicos começaram a chamar a chuva de meteoros de “lágrimas de São Lourenço”, por causa das tradições italianas, que dizem que os detritos ardentes vistos  durante a chuva de meteoros representam os carvões que queimaram São Lourenço embora o fenômeno celestial preceda a morte do santo.

As “lágrimas de São Lourenço”, poderão ser avistadas especialmente após a meia-noite de 11 para 12 de agosto deste ano. Os meteoros cairão a partir de diferentes pontos do céu.

básilica se são lourenço

A Basílica de São Lourenço, em Roma, é considerada a quinta em importância.

 

 

São Lourenço, santo e mártir, rogai por nós!

 

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