Anarquismo, capitalismo, socialismo, sindicalismo e a igreja.

O anarquismo é uma doutrina sócio-política que surgiu em meados dos séculos XVII e XVIII na Europa, chegando ao Brasil em 1850 através dos imigrantes europeus. O anarquismo defende que a sociedade não deve ter nenhuma forma de autoridade e considera que o Estado é uma força coercitiva.
 
Teorias anarco-sindicalistas chegaram ao Brasil através dos livros de anarquistas franceses como Pierre-Joseph Proudhon, Mikhail Bakunin entre outros, e difundiram-se através da imprensa e das decisões da grande massa operária, dominada por anarco-sindicalistas.
A Colônia Cecília, dirigida entre 1890 e 1893 por italianos imigrantes em terras doadas por D. Pedro II, no município de Palmeira, Paraná, foi a principal colônia anarquista que já existiu no Brasil.
 
No período da Velha República, a ideologia anarquista defendeu a organização sindical autônoma, a extinção do Estado, da Igreja e da propriedade privada. Se posicionaram contra a organização dos partidos políticos, divulgando suas ideias por meio da imprensa da época jornais, revistas, livros, panfletos, etc.
 
A ação direta era pregada pelo chamado “sindicalismo revolucionário”. Esta ação direta consistia em greves, boicotes e sabotagens e era considerada um meio para os trabalhadores adquirirem melhores condições de trabalho, indo contra a revolução industrial. Em busca de destruir o sistema, os trabalhadores eram ensinados a se prepararem para uma ação final: uma greve geral que destruiria este sistema. Para eles em meio as ações praticadas a violência, a sabotagem, a destruição de equipamentos, a destruição do meio ambiente de trabalho era considerada aceitável e necessária para pressionar os seus patrões até que suas exigências fossem atendidas.
 
Entre o século XIX  e o século XX, o movimento anarquista teve seu auge no Brasil, era uma das tendências políticas majoritárias entre os movimentos operários, o que causou grandes greves operárias de 1917 em São Paulo, assim como as greves de 1918 e 1919 no Rio de Janeiro. Nestes mesmos anos foram criadas escolas para trabalhadores que eram comandadas segundo os ideais da doutrina.
Em 1919 foi criado o Partido Comunista Anarquista, que perdeu força alguns anos depois, em 1922, com a criação do Partido Comunista, que era integrado também por ex-anarquistas.
Antes dos sindicatos, já haviam outras formas de associação entre trabalhadores de um mesmo ramo ou ofício. As sociedades de socorro e auxílio mútuo tinham por objetivo prestar assistência aos trabalhadores e suas famílias em momentos de dificuldades.
Os sindicatos surgem pela necessidade de conquistar melhores condições de trabalho e salários melhores. De início, os sindicatos foram duramente reprimidos e, até as últimas décadas do século XIX, as atividades sindicais eram proibidas na maioria dos países europeus. Com o passar do tempo, os sindicatos foram se institucionalizando, virando a principal ferramenta de negociação e diálogo entre patrões e empregados. Esse processo, em muitos casos, também caminhou para uma burocratização interna dos sindicatos, com a cooptação de seus líderes e, consequentemente um afastamento das bases. Algumas lideranças deixam de representar os interesses de suas categorias e usam o sindicato para proteger interesses próprios, do Estado, de partidos políticos e, por vezes, até mesmo de seus patrões.
O Papa Bento XIV foi o primeiro clérigo a buscar elaborar uma carta a respeito dos transtornos sociais que vieram junto a revolução industrial e os possíveis rumos a tomar para amenizar o mesmo, aproximadamente 1740 e 1758, o grande sacerdote católico teve muito cuidado de realizar um ensinamento ou  desenvolvimento de um magistério ordinário mundial com o perfil social, governamental, a fé católica, o culto, os costumes, a política etc. Porém, foi no fim do século XIX que outro pontífice o Papa Leão XIII ficou conhecido como o “papa das encíclicas sociais”, o sacerdote Leão XIII não se conformava com as injustiças sociais causadas pela revolução industrial, o sumo Pontífice assinalava contundentes erros dentro do capitalismo que surgira, e em 1891 o publicou a encíclica Rerum Novarum em português: “Das Coisas Novas”. A carta papal tratava de questões relevantes a Revolução Industrial, a miséria instaurada na classe operária, os trabalhadores que estavam sendo vítimas da cobiça e de uma concorrência desenfreada da ganância e de leis que haviam perdido o sentido e os princípios cristãos, o Papa achou necessário, criar medidas para vir em auxílio dos homens das classes inferiores.

O Papa Leão XIII criticou a centralização de riquezas nas mãos de poucos e do mal uso que dela faziam. O pontífice também defendia o surgimento de sindicatos livres, coordenados pelos próprios trabalhadores, que lutariam por melhores condições de trabalho. O papa ainda também discutia abertamente entre o hábil entendimento do Estado, a Igreja, o trabalho, o burguês e os negócios.

A propriedade privada era uma de suas teses, defendendo de certa forma o capitalismo, mas não aprovava a selvageria imposta pelo regime capitalista aos mais pobres, Leão XIII entendia que o regime socialista não era digno e pouco se importava com o bem comum do homem e de prover-lhe meios para que possa alcançar a felicidade. Não é o homem que deve servir o Estado, mas o Estado que existe em função do homem, para lhe dar conforto e o bem comum.

A Encíclica Rerum Novarum veio junto a outras encíclicas e cartas Papais de Leão XIII durante o seu papado, o pontífice também elaborou a Diuturnum em dezembro de 1898, bula Papal que se refere sobre a soberania política, a origem do poder civil deve definir direitos e deveres mútuos entre Estado e cidadãos, esta carta apresenta a ideia de que os governantes não devem só pensar nas suas riquezas, mas devem elaborar leis justas que possam atender a todos inclusive aos pobres.

A Immortale Dei publicada em 1885, sobre a constituição cristã dos Estados, a igreja católica reconheceria qualquer governo que governasse com justiça para os mais necessitados, qualquer forma de governo (seja ele autoritário, totalitário ou liberal) seria aceita pela igreja desde que fosse para o bem do cidadão.

Libertas Praestantissimum, elaborado em junho de 1888, essa carta retratava a liberdade natural e moral humana e revolucionava o pensamento social da Igreja e da sua hierarquia. Essa Encíclica provavelmente tenha influenciado a Princesa Isabel na assinatura da Lei Aurea, o papa Leão XIII concedeu a Princesa D. Isabel uma Rosa de Ouro, símbolo de generosidade por esta ter publicado a lei que extinguiu a escravidão no Brasil. Estas encíclicas foram consideradas como o pilar fundamental da Doutrina Social da Igreja.

Papa Pio XI, motivado pela Grande Depressão de 1929 publicou sua tese em defesa do livre mercado, a justiça social e a caridade. A encíclica Quadragesimo anno, foi à restauração e aperfeiçoamento da ordem social em conformidade com o evangélio.  A intensa recessão que o mundo sofria causada pela expansão de empréstimos cedidos via bancos centrais dos governos as grandes oligarquias, intensificou a pobreza, já que esta política econômica keynesiana consequentemente aumentava os juros e a inflação devido as constantes intervenções do governo na economia, o que acabou com o livre-mercado.

“São nefastos tanto o nacionalismo ou imperialismo econômico como o internacionalismo, da arrecadação financeira que é gerada e gerida somente para o Estado (a alta tributação). A Quadragesimo anno também criticava ferozmente o socialismo, o Papa temia que o avanço socialista atingisse esses países que estavam em crises causadas pela crise de 1929. O documento condena os abusos do capitalismo e do livre mercado, a concentração de renda e de poder e afirma que sem justiça social, sem caridade, sem a reta razão e os preceitos do evangélio não se terá uma ordem econômica justa.

Como podemos observar a igreja sempre buscou orientar os homens a buscarem as melhores soluções para as problemáticas de cada época incentivando a cooperação entre as organizações sociais, o Estado, os empresários e os homens livres de forma a equilibrar os papéis de cada um destes e acentuando a responsabilidade de cada um na busca do equilíbrio social neste mundo em que estamos apenas de passagem.

 

Paz à todos!

 

 

Bibliografia

 

BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001

 

Engels F., A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo Editora  Boitempo 2006.

 

FALEIROS. Vicente de Paula. O que é Política Social. Editora brasiliense

 

FELICI, Isabelle. “A verdadeira história da Colônia Cecília de Giovanni Rossi.” Cadernos AEL 5.8/9 (2010).

 

História do movimento anarquista no Brasil

https://we.riseup.net/assets/141914/Edgar%20Rodrigues%20hist%C3%B3ria%20do%20movimento%20anarquista%20no%20brasil.pdf

 

TOLEDO, Edilene. A trajetória anarquista no Brasil da Primeira República. In: FERREIRA, Jorge & REIS FILHO, Daniel Aarão. A formação das tradições (1889-1945): as esquerdas no Brasil. Vol. I. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

 

Encíclica Rerum Novarum

https://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html

 

Encíclica Diuturnum

http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/en/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_29061881_diuturnum.html

 

Encíclica Immortale Dei

https://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01111885_immortale-dei.html

 

Encíclica Libertas Praestantissimum

http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/en/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_20061888_libertas.html

 

Encíclica Quadragesimo anno

https://w2.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno.html

 

 

 

 

 

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